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Eu nunca tinha andado de metrô antes. E por esta razão, resolvi compartilhar essa nova experiência na minha vida.
É TÃO, TÃO LEGAL. E tão rápido. Haha!
A companhia, também, era ótima.
Enfim... Estou indo acampar amanhã, e volto só no domingo. Isso significa mais alguns dias sem postar.
Eu estava em outro mundo. Algum que não é Saturno, Urano ou Mercúrio. Muito menos a Terra. É um mundo, para poupar alguns esforços, perfeito. As preocupações você esquece. Deixa-as logo na entrada. No meu caso, logo no momento em que esperava por aquele grande avanço tecnológico, de um lado a outro do corredor, que me levaria do décimo primeiro ao andar térreo.Nesse mundo, tudo é mais singelo. Ou assim eu via. Os ponteiros do relógio rastejam em sincronia diferente, as vinte e quatro horas duplicam ou até triplicam. O ar fétido e pesado agora é puro como as águas que nascem. Não há pessoas ruins, não há perigo, medo ou tristeza. Não enquanto nossas peles se comunicavam e enquanto eu me ajeitava em seus braços quentes. E não muito tardou, foi só o crepúsculo dar as boas vindas e mais algum tempo para que a Terra me chamasse de volta. Foi então que eu senti o vento frio. Só aí. Colidia com a temperatura mais alta que saía dos meus olhos.Esses mesmos, que, nesse tempo, funcionaram como câmeras. Atentas e focadas. E que junto aos meus neurônios pensantes e sensitivos, não me deixaram perder um só detalhe. Minha pele e o meu coração sentiam, o meu cérebro tratava de responder, e a minha memória, de armazenar. Em um espaço que é mais do que a conhecida como memória de longo prazo. Não é só um longo prazo. Isso parece muito pouco... É eterno.De todas essas imagens, estáticas e contínuas (fui capaz, de tanto que me retinha a cada brilho que transluzia, a meu ver, em seu olhar) produzi um filme. Que foi colocado no meu aparelho de rodar fita, e que não faço idéia de onde deixei o controle de pause. Também não faço a mínima questão. Esse é o filme que eu assistiria se tivesse de escolher o que fazer como última coisa na vida, descobrindo sempre um tom diferente no seu timbre de voz. E que começa a rodar no instante em que abro os olhos, a só dar uma folga quando jogo o corpo sobre a cama.Viver, sentir... Cada uma daquelas coisas que até então só tinha tido em palavras, eu pude agora ter além. Posso garantir que muito além do que eu projetei ter um dia. Medir a temperatura da sua pele ao tocar a minha, recostar a cabeça no seu peito e ouvir o som da freqüência das batidas do seu coração a penetrarem meus ouvidos, me afogar em seus cabelos e deixar o perfume que eles carregam entrar junto ao ar em meus pulmões, purificando qualquer que fosse a impureza dentro deles.Ali, encontrei a essência que me deixava mais formosa, o brilho que me deixava mais sorridente, o remédio que sarava minhas feridas e, acima de tudo isso, o que eu nem podia imaginar que me faltava. Senti-me mais completa do que nunca, me encontrei no entrelaçar de nossas mãos, me transcendi no choque do encontro do brilho dos nossos sorrisos, que um no outro produziram um prisma, e refletido nas águas límpidas do rio daquele parque, originaram as sete cores do arco-íris que vi em meus sonhos.Eu não perdi nada. Da surpresa do primeiro abraço aos últimos carinhos em seu colo antes de partir, o relutante não querer soltar seus dedos, a deixar-te lá, e o teu semblante que espiei por entre as malas que tapavam quase toda a visão do vidro traseiro do carro. Você parecia não querer acreditar que aquele carro ia para não voltar mais, e eu também não.Trouxe comigo a exata descrição do seu rosto redondinho, e a certeza de que as lágrimas nada mais foram do que um mesclado do meu coração a pulsar até quase parar, minha alegria incessante, a minha alma enobrecida e completa até demais, e por fim minha angústia, que juntos, agora, transbordavam sem saber por onde.
Fecho os olhos, e penso em como dizerPalavras vêm e vão, e não consigo me reterA uma frase pronta, que pudesse expressarE acho que palavras eu já não sei mais usarVou dar o meu melhor, usar a sinceridadeE chegar o mais perto do que eu chamo de "verdade"
Que teu sorriso é o meu sorriso, tua risada me faz rirQue lembro de você todo o tempo, quando acordo ou vou dormirQue teu rosto me traz paz, posso sonhar em te tocarSentir sua respiração em meu peito, a cada vez que o ar entrarChorar no teu colo, te assistir dormir, pequenaDói estar longe, a distância mata, envenenaMas nada muda, nada tira, minha queridaAquilo que é teu, seu lugar na minha vida.O envelope preto trazia uma folha com desenhos bonitos e a tão delicada fragância que enchia os meus pulmões a cada inspiro, me levando, a cada verso desse poema que trazia, sempre um passo para mais perto dela.Está chegando. Cada vez mais. O próximo envelope trará relatos dos intermináveis dias, e da crueldade de me fazer voltar. A deixar-te lá. O que terei, pois, cuidarei de usar como consolo às minhas inquietantes saudades, junto ao maior deles: sua pele tocou a minha.
P.s.: estou indo viajar. Até segunda.
O papel está sobre a mesa. A lapiseira ao seu lado foi postada na exata diagonal da folha em branco. Os dias se passam, o vento invade as grades da janela e o papel não se move um centímetro. Está a salvo de qualquer respingo. Por alguma razão, que só o destino (não que eu acredite nele), e mais ninguém sabe, algum dia, o papel é colocado de modo que facilite a mobilidade das mãos. A lapiseira fica em pé. Vêm os primeiros traços. Firma-se nos dedos.A palheta de cores primárias chega até as mãos. Cuidadosamente misturadas as cores, vão até o papel. O desenho está pronto. A utopia está criada.A fantasia ganha forma, e cor.O show começou. A multidão é incalculável até chegar à beirada do palco. Tudo o que você vê é a ponta dos cabelos. Quer mais, quer muito mais. Tenta dar dois passos, é empurrado de volta. A quimera lhe espera, você anseia por. Quanto mais longe você tenta chegar, mais é surrado pela multidão e mais afastado fica. Puxam-te pelos braços, pelos ombros e até pelos cabelos. Você se desespera, pois simplesmente não pode ir embora sem tomar noção da feição do seu ídolo. Os arranhões ardem em seus braços, a esperança em seus olhos está a um passo de vagar para longe. Tudo o que sente é a angústia a penetrar em cada ponto. Os segundos no relógio passam: você? Está mais longe do que no início.O que almeja está muito distante. Em uma mata espinhenta e com plantas carnívora por todos os cantos. Quer poder certificar-se de que tem carne e osso. Movimenta-se, pensa e mede seus atos.Uma parte racional prestes a afundar em sua cabeça diz que é besteira continuar. O fio de esperança quase inerte, mas ainda assim não quer ouvir. Não vai deixar de tentar. No fim das contas, a utopia serve para isso mesmo: para que você nunca deixe de colocar um pé frente ao outro. Os arranhões? Curam.Assemelham-se às luzes dos navios que parecem estar parados lá na linha final do horizonte quando sentamos à beira da praia. Por mais que tente, não consegue ver nada além disso.Talvez o que realmente importe você tenha, trancafiado numa caixinha de tocar música: o sonho. O platônico. Uma mente sábia carrega uma utopia. Ela enche sua bolsa a tira-colo de persistência. Completa a palheta com as cores que faltam, dão conteúdo a sua mente para que trabalhe. Dia e noite, noite e dia.
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." Eduardo Galeano.
Há quem acredite que escrever, expressar-se quando se está sentindo é mais fácil. Soa como despejar um pouco da carga, e colocar um pouco desse peso centralizado na cabeça em algum outro lugar. Eu também pensava assim, mas já não tenho tanta certeza agora. Talvez quando o que você tenha a pôr em linhas sejam frases feitas e sentimentos vindos de balões coloridos seja menos difícil do que quando os balões foram todos estourados e a festa chegou ao fim.
Pode ser porque num momento em que algo dá errado, sua mente se preocupa tanto em remoer por incansáveis horas aquela idéia que a sua mente coloca uma placa de “stop” e bloqueia qualquer outro tipo de tentativa de pensamento ordenado. Ao mesmo tempo que escrever me faz bem e é disso o que eu preciso, não tenho certeza se o que consigo exprimir tem algum conteúdo, uma vez que a placa ali em cima tratada insiste em fincar ao chão.
O que eu sinto é muito.
Os meus sentimentos variaram, e bastante, já. Passou por tristeza, raiva, decepção, utopia desmanchada, sonhos sequer fundamentados caindo por terra e pensamentos nostálgicos entristecedores. O trem deu partida no exato ponto leste, com rumo ao oeste, onde a parada é definitiva. Durante o caminho, pára em vários pontos e estações, todas vazias, mas cheias de histórias para contar e um ponto que nos tenta a refletir. A passagem por cada uma é lenta, dando tempo de absorver. Mas não desço. E não tenho certeza de quando isso irá acontecer. Quem sabe quando as peças do quebra-cabeça apartadas pelo vento voltem a se encaixar onde fragmentavam o desenho como um todo. As idéias em seu devido lugar.
Só que aí, quem sabe quanto tempo leva?
Não é como uma mancha de barro no tênis que a chuva limpa. Demora. Muito mais tempo do que a fase inicial, do conhecer, do aproximar. E enquanto isso, apenas o que me resta é continuar com os olhos atentos nos ponteiros do grande relógio no topo frontal do trem, até que meus olhos peçam por um piscar, e até que a voz do meu coração que tanto palpita aqui dentro anuncie a hora de descer. Porque se é ela quem dá as ordens ao meu cérebro, ela tomará essa importante decisão.
Eu só preciso descer nessa última estação, e correr por entre os caminhos inexplorados em busca do meu novo ponto. O ponto de partida.