O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sobre um hematoma. Passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa até pra mim.
E tudo o que eu ainda quero saber é porque teve que ser só um.
Um beijo. Foi tudo o que eu tive. Um só beijo. Uns minutos. Algumas pessoas têm a vida toda para sugar o doce dos lábios de seu companheiro, e eu tive uma única chance de me apoderar ao máximo do sabor dos seus.
Uma praga. Assim eu o sinto dentro de mim. Como uma praga que tivesse se estabelecido entre os meus ossos e sobrevivesse às minhas custas. À custa da minha tristeza. Quieta, quase posso ouvir as suas garras roçando as feridas do meu coração.
O seu alimento é o meu sofrimento. A minha dor. Ele quer me destruir; nunca é suficiente. Como o oxigênio chega à placenta pelo cordão umbilical, o meu vazio a desmanchar-se, o meu sangue fraco - incolor e inerte - chega até ele por cada um dos meus nervos.
As partículas se convertem em espinhos. Passam correndo, dilacerando. A aflição é tanta que eu sou obrigada a me contorcer. Para não sentir. Não ver o pedaço de mim indo embora transfigurado em facas, sem dó, com o riso ecoando dentro de mim.
Ele ri.
A sua sobremesa são as minhas lágrimas. Não há remédio que o combata.
Cada vez ele tem mais fome.
sábado, 29 de novembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
No plágio de uma bela melodia...
Tudo é tão branco e sem razão
Não é um quarto, é uma prisão
E eu estou aqui tentando sair em vão
E nem que eu tente acordar
Não há como me concentrar
Pois o que passou marcou demais meu coração
E nada poderá mudar
O meu destino que é vagar
Pelo meu quarto vendo o teu semblante...
Tudo que eu não quero lembrar
Memórias custam a apagar
Daria tudo pra ser como antes
Pra mim...
E quando eu tento apagar
Da minha mente o que vivi
Não resta nada pra me tornar feliz
E aí eu tento aceitar
Que assim vai ser melhor pra mim
Mas não dá para acreditar
Não dá...
E se algum dia eu me livrar
Eu não irei comemorar
Pois estaria atestando a desistência
Mas eu não posso aguentar
Ficar aqui nesse lugar
Ouvindo a voz da consciência que me diz...
Que nada poderá mudar
O meu destino que é vagar
Pelo meu quarto vendo o teu semblante
Fresno - Teu Semblante. ♫
Não é um quarto, é uma prisão
E eu estou aqui tentando sair em vão
E nem que eu tente acordar
Não há como me concentrar
Pois o que passou marcou demais meu coração
E nada poderá mudar
O meu destino que é vagar
Pelo meu quarto vendo o teu semblante...
Tudo que eu não quero lembrar
Memórias custam a apagar
Daria tudo pra ser como antes
Pra mim...
E quando eu tento apagar
Da minha mente o que vivi
Não resta nada pra me tornar feliz
E aí eu tento aceitar
Que assim vai ser melhor pra mim
Mas não dá para acreditar
Não dá...
E se algum dia eu me livrar
Eu não irei comemorar
Pois estaria atestando a desistência
Mas eu não posso aguentar
Ficar aqui nesse lugar
Ouvindo a voz da consciência que me diz...
Que nada poderá mudar
O meu destino que é vagar
Pelo meu quarto vendo o teu semblante
Fresno - Teu Semblante. ♫
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
“E aquela gaveta de felicidade já está cheia de ficar vazia.”
Agora eu me sinto insignificante. Não só pelo que aconteceu, pelas palavras frias que colidiram com o quente da minha aflição, ou do meu amor à flor da pele, lutando para não ir embora para sempre; não sei ao certo. Mas pelo que ele fez ao meu coração. Aos meus sentimentos. Ao meu amor. Eles, agora, não passam de pedaços destruídos, de restos do que um dia existiu crendo ser imbatível, vagando inertes pela frente do vazio que me ocupa.
Mais do que nunca, eu sinto repulsa aos casaizinhos felizes. Não suporto ver pessoas aos beijos. Amassos. Amor transbordando. Subindo pelo ar. Deve-se se não ao fato de que eu estou em carência de motivos para me achar feliz o tempo todo. Distribuindo sorrisos. E o meu coração desprovido de recursos para pulsar normalmente. Os meus pulmões reduzidos à insuficiência de fazerem o ar percorrer seu trajeto sem desvios.
É como se antes eu estivesse vivendo. E agora eu apenas sobrevivesse. Os meus pés me levam, mas eu não quero andar. Os meus olhos abrem, mas eu não quero enxergar. Tudo o que eu não quero lembrar memórias custam a apagar.
Eu entendo, mas não aceito. Convivo com isso. Como um remédio de comprimido que precisamos engolir, quando não conseguimos. A dor é insuportável e nos obriga a fazer esforço para engolir. Até que consegue.
Ainda procuro pelo torpor. Quero me sentir entorpecida, como num estado de transe. Como se desligasse algum fio da tomada e sentisse o latejar da ferida cessar.
E esquecesse, - não como um sono, porque ele aparece ainda nos meus sonhos (e até nos meus pesadelos) - esquecesse que eu ainda amo, que eu ainda sinto, que a ferida ainda está aberta. Em carne viva. Amo, no vazio. Amo fundo. Amo com sufoco.
Mais do que nunca, eu sinto repulsa aos casaizinhos felizes. Não suporto ver pessoas aos beijos. Amassos. Amor transbordando. Subindo pelo ar. Deve-se se não ao fato de que eu estou em carência de motivos para me achar feliz o tempo todo. Distribuindo sorrisos. E o meu coração desprovido de recursos para pulsar normalmente. Os meus pulmões reduzidos à insuficiência de fazerem o ar percorrer seu trajeto sem desvios.
É como se antes eu estivesse vivendo. E agora eu apenas sobrevivesse. Os meus pés me levam, mas eu não quero andar. Os meus olhos abrem, mas eu não quero enxergar. Tudo o que eu não quero lembrar memórias custam a apagar.
Eu entendo, mas não aceito. Convivo com isso. Como um remédio de comprimido que precisamos engolir, quando não conseguimos. A dor é insuportável e nos obriga a fazer esforço para engolir. Até que consegue.
Ainda procuro pelo torpor. Quero me sentir entorpecida, como num estado de transe. Como se desligasse algum fio da tomada e sentisse o latejar da ferida cessar.
E esquecesse, - não como um sono, porque ele aparece ainda nos meus sonhos (e até nos meus pesadelos) - esquecesse que eu ainda amo, que eu ainda sinto, que a ferida ainda está aberta. Em carne viva. Amo, no vazio. Amo fundo. Amo com sufoco.
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