Com a música, eu sinto como se encontrasse o meu caminho de volta para casa. Nelas eu procuro as palavras que me faltam (elas falam por mim), o esconderijo que parece perfeito, a direção a seguir, as frutas a colher. As melodias que me cercam e embalam, como a um bebê. Isso tudo se torna ainda mais claro se quando sentido na pele. Digo, num show.
Eu sinto cada batida, cada nota, grave e agudo penetrar em mim. Os ouvidos funcionam só como receptores. Sua participação é pífia, se analisado o todo. No fim das contas, quem acaba mesmo por sentir são os meus pulmões, que berram, naquela histeria que pareia no ar. O meu coração, que pulsa freneticamente a cada pulo que dou, a cada vez que a emoção platônica toca mais fundo. Eu era quase capaz de ver as notas musicais saindo daquele palco, como pedaços fragmentados da emoção dos quatro, e pousando em cada um daqueles corpos que se sacodiam, numa intencional tentativa de se libertar. Aquele parece o lugar ideal, sem mais delongas.
É tudo uma loucura. Platônico, inventado, obsessivo. Mas eu pouco me importo. Tenho total consciência de que eles nem sonham com a minha existência, mas a minha voz ajudou a compor aquele coro uníssono do qual eles se orgulharam, aquela multidão que cantava a plenos pulmões, aquelas mãos erguidas que acompanhavam tudo, aqueles gritos receptivos e calorosos.
Embalada por tais canções eu aceitaria o apocalipse como um fenômeno natural sem avisos prévios. O mundo todo iria embora. Embora para sempre. O mundo todo, e, ao mesmo tempo, nada.
Pois assim eu sinto quando os versos sob ritmos tomam conta de mim.
domingo, 12 de outubro de 2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Assola a minha razão
Temer, ter terror, recear.
Eu tenho medo de muitas coisas. E não vejo o menor problema em admitir isso.
Algumas físicas, outras não.
Temo os meus piores pesadelos, temo os meus melhores sonhos. Temo a fúria enclausurada nas vestes sufocadas de alguns.
Temo a mim.
Isso é não por outro motivo se não porque me descubro a cada cascalho que tropeço. A cada gota que estala na minha vidraça. Esse medo é, talvez, o melhor dos medos. Pois teme o desconhecido. E não há nada melhor do que descobrir algo novo em você, ou desmanchar um temor do único modo aparente: encarando-o.
Sinto medo de encontrar-me no vazio que me habita, dos olhares que me atravessam e do que eles possam ver. Tenho medo de que a minha transparência se clareie a cada crepúsculo que chega, até que encontre um ponto onde eu perca todos os meus poderes de ocultar.
Seja como for, o meu medo me compõe, logo ao lado dos meus sentimentos. O meu medo me dá garras.
Sinto medo de me sentir feliz demais. É como se não merecesse tanto, e logo quisessem arrancar de mim um pouco dessa alegria. É muito provável que um dia, talvez breve, eu me sinta mais feliz do que um dia que me vi. Até porque, em inúmeras das vezes, a minha aparente felicidade não é nada se não uma capa que eu visto por medo (sim, mais uma vez) do que o transparecer da minha tristeza possa acarretar.
Tenho medo de que arranquem essa máscara que me sufoca e impregna, torna minha face disforme, empacota os meus sentimentos e rouba a minha verdade. Medo de que tudo desmorone sem que eu tenha provado de todos os venenos, de todas as poções mágicas e de todos os abraços. Medo de que o meu diferente se torne igual.
De todos os meus medos, talvez o que eu menos tema seja o de temer. Quero sentir medo. Quero me sentir humana. Quero me sentir mais viva a cada vez que o ar subir. Esbarrando-se na adrenalina que se expande por todo o meu corpo, fazendo o meu sangue borbulhar e o meu coração falar alto. Até o ponto em que se torna tudo o que eu ouço.
E me ensurdece.
Eu tenho medo de muitas coisas. E não vejo o menor problema em admitir isso.
Algumas físicas, outras não.
Temo os meus piores pesadelos, temo os meus melhores sonhos. Temo a fúria enclausurada nas vestes sufocadas de alguns.
Temo a mim.
Isso é não por outro motivo se não porque me descubro a cada cascalho que tropeço. A cada gota que estala na minha vidraça. Esse medo é, talvez, o melhor dos medos. Pois teme o desconhecido. E não há nada melhor do que descobrir algo novo em você, ou desmanchar um temor do único modo aparente: encarando-o.
Sinto medo de encontrar-me no vazio que me habita, dos olhares que me atravessam e do que eles possam ver. Tenho medo de que a minha transparência se clareie a cada crepúsculo que chega, até que encontre um ponto onde eu perca todos os meus poderes de ocultar.
Seja como for, o meu medo me compõe, logo ao lado dos meus sentimentos. O meu medo me dá garras.
Sinto medo de me sentir feliz demais. É como se não merecesse tanto, e logo quisessem arrancar de mim um pouco dessa alegria. É muito provável que um dia, talvez breve, eu me sinta mais feliz do que um dia que me vi. Até porque, em inúmeras das vezes, a minha aparente felicidade não é nada se não uma capa que eu visto por medo (sim, mais uma vez) do que o transparecer da minha tristeza possa acarretar.
Tenho medo de que arranquem essa máscara que me sufoca e impregna, torna minha face disforme, empacota os meus sentimentos e rouba a minha verdade. Medo de que tudo desmorone sem que eu tenha provado de todos os venenos, de todas as poções mágicas e de todos os abraços. Medo de que o meu diferente se torne igual.
De todos os meus medos, talvez o que eu menos tema seja o de temer. Quero sentir medo. Quero me sentir humana. Quero me sentir mais viva a cada vez que o ar subir. Esbarrando-se na adrenalina que se expande por todo o meu corpo, fazendo o meu sangue borbulhar e o meu coração falar alto. Até o ponto em que se torna tudo o que eu ouço.
E me ensurdece.
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