terça-feira, 16 de setembro de 2008

Em um mundo não muito distante...

Eu estava em outro mundo. Algum que não é Saturno, Urano ou Mercúrio. Muito menos a Terra. É um mundo, para poupar alguns esforços, perfeito. As preocupações você esquece. Deixa-as logo na entrada. No meu caso, logo no momento em que esperava por aquele grande avanço tecnológico, de um lado a outro do corredor, que me levaria do décimo primeiro ao andar térreo.
Nesse mundo, tudo é mais singelo. Ou assim eu via. Os ponteiros do relógio rastejam em sincronia diferente, as vinte e quatro horas duplicam ou até triplicam. O ar fétido e pesado agora é puro como as águas que nascem. Não há pessoas ruins, não há perigo, medo ou tristeza. Não enquanto nossas peles se comunicavam e enquanto eu me ajeitava em seus braços quentes. E não muito tardou, foi só o crepúsculo dar as boas vindas e mais algum tempo para que a Terra me chamasse de volta. Foi então que eu senti o vento frio. Só aí. Colidia com a temperatura mais alta que saía dos meus olhos.

Esses mesmos, que, nesse tempo, funcionaram como câmeras. Atentas e focadas. E que junto aos meus neurônios pensantes e sensitivos, não me deixaram perder um só detalhe. Minha pele e o meu coração sentiam, o meu cérebro tratava de responder, e a minha memória, de armazenar. Em um espaço que é mais do que a conhecida como memória de longo prazo. Não é só um longo prazo. Isso parece muito pouco... É eterno.
De todas essas imagens, estáticas e contínuas (fui capaz, de tanto que me retinha a cada brilho que transluzia, a meu ver, em seu olhar) produzi um filme. Que foi colocado no meu aparelho de rodar fita, e que não faço idéia de onde deixei o controle de pause. Também não faço a mínima questão. Esse é o filme que eu assistiria se tivesse de escolher o que fazer como última coisa na vida, descobrindo sempre um tom diferente no seu timbre de voz. E que começa a rodar no instante em que abro os olhos, a só dar uma folga quando jogo o corpo sobre a cama.

Viver, sentir... Cada uma daquelas coisas que até então só tinha tido em palavras, eu pude agora ter além. Posso garantir que muito além do que eu projetei ter um dia. Medir a temperatura da sua pele ao tocar a minha, recostar a cabeça no seu peito e ouvir o som da freqüência das batidas do seu coração a penetrarem meus ouvidos, me afogar em seus cabelos e deixar o perfume que eles carregam entrar junto ao ar em meus pulmões, purificando qualquer que fosse a impureza dentro deles.

Ali, encontrei a essência que me deixava mais formosa, o brilho que me deixava mais sorridente, o remédio que sarava minhas feridas e, acima de tudo isso, o que eu nem podia imaginar que me faltava. Senti-me mais completa do que nunca, me encontrei no entrelaçar de nossas mãos, me transcendi no choque do encontro do brilho dos nossos sorrisos, que um no outro produziram um prisma, e refletido nas águas límpidas do rio daquele parque, originaram as sete cores do arco-íris que vi em meus sonhos.

Eu não perdi nada. Da surpresa do primeiro abraço aos últimos carinhos em seu colo antes de partir, o relutante não querer soltar seus dedos, a deixar-te lá, e o teu semblante que espiei por entre as malas que tapavam quase toda a visão do vidro traseiro do carro. Você parecia não querer acreditar que aquele carro ia para não voltar mais, e eu também não.

Trouxe comigo a exata descrição do seu rosto redondinho, e a certeza de que as lágrimas nada mais foram do que um mesclado do meu coração a pulsar até quase parar, minha alegria incessante, a minha alma enobrecida e completa até demais, e por fim minha angústia, que juntos, agora, transbordavam sem saber por onde.

Um comentário:

Lou P. disse...

Eu não sei quantas vezes proferi as palavras "Queria que o mundo parasse agora", mas eu pensei nela incontáveis vezes. Queria que tudo parasse. O tempo, o vento, a água, as sombras e as pessoas, os carros e toda a rua. Uma por uma. Até que toda a Terra parasse e só houvesse uma pessoa se movendo. Eu-e-você. Uma pessoa só, sabe? Não existe uma Lou separada de Gi. Nem a distâcia física pode fazer isso. Nada pode.
Eu amo tuas palavras. E agora posso afirmar que amo teus gestos, teu riso, teu sorriso, até tua carinha de brava. Teu ciúme, teu calor, tua respiração, e o seu cheiro.Você ouvindo meu coração, e até meu estômago, lembra? Haha. E eu brinquei quando disse que estava pesada no meu colo. Neste momento, esse peso é tudo o que eu queria sentir. Te ouvir me chamando, naquelas suas entonações variadas, passando por felicidade, irritação e até uma dose de histerismo... Quero estar logo contigo, pequena. e poder firmar cada um dos sentimentos, pra que eu não acredite que tenha sido só um sonho. O sonho de uma vida perfeita, perto (realmente perto), cuidando de você.