segunda-feira, 1 de setembro de 2008

How do you describe a feeling?

Há quem acredite que escrever, expressar-se quando se está sentindo é mais fácil. Soa como despejar um pouco da carga, e colocar um pouco desse peso centralizado na cabeça em algum outro lugar. Eu também pensava assim, mas já não tenho tanta certeza agora. Talvez quando o que você tenha a pôr em linhas sejam frases feitas e sentimentos vindos de balões coloridos seja menos difícil do que quando os balões foram todos estourados e a festa chegou ao fim.

Pode ser porque num momento em que algo dá errado, sua mente se preocupa tanto em remoer por incansáveis horas aquela idéia que a sua mente coloca uma placa de “stop” e bloqueia qualquer outro tipo de tentativa de pensamento ordenado. Ao mesmo tempo que escrever me faz bem e é disso o que eu preciso, não tenho certeza se o que consigo exprimir tem algum conteúdo, uma vez que a placa ali em cima tratada insiste em fincar ao chão.

O que eu sinto é muito.

Os meus sentimentos variaram, e bastante, já. Passou por tristeza, raiva, decepção, utopia desmanchada, sonhos sequer fundamentados caindo por terra e pensamentos nostálgicos entristecedores. O trem deu partida no exato ponto leste, com rumo ao oeste, onde a parada é definitiva. Durante o caminho, pára em vários pontos e estações, todas vazias, mas cheias de histórias para contar e um ponto que nos tenta a refletir. A passagem por cada uma é lenta, dando tempo de absorver. Mas não desço. E não tenho certeza de quando isso irá acontecer. Quem sabe quando as peças do quebra-cabeça apartadas pelo vento voltem a se encaixar onde fragmentavam o desenho como um todo. As idéias em seu devido lugar.

Só que aí, quem sabe quanto tempo leva?
Não é como uma mancha de barro no tênis que a chuva limpa. Demora. Muito mais tempo do que a fase inicial, do conhecer, do aproximar. E enquanto isso, apenas o que me resta é continuar com os olhos atentos nos ponteiros do grande relógio no topo frontal do trem, até que meus olhos peçam por um piscar, e até que a voz do meu coração que tanto palpita aqui dentro anuncie a hora de descer. Porque se é ela quem dá as ordens ao meu cérebro, ela tomará essa importante decisão.

Eu só preciso descer nessa última estação, e correr por entre os caminhos inexplorados em busca do meu novo ponto. O ponto de partida.

Um comentário:

Lou P. disse...

Você sabe que ali atrás, no mesmo vagão, uma garota espia de vez em quando por cima do livro... registrando suas reações. Porque sabe... Talvez, na hora de descer, você tropece no degrau. Aí aquela garota, prestativa, porque se trata de você, vai correr o mais rápido que puderem suas pernas e segurar sua mão. E ela diria "Cuidado com o degrau, pequena. Não é porque sempre segurarei sua mão que você vai deixar de tomar cuidado, né?". E aí vocês duas vão rir, da observação boba dela. E depois andaraão de mãos dadas. Porque ali, do outro lado, tem aquele trem, com um rumo novo. Você toma seu lugar á dianteira do vagão, e a garota se posta novamente atrás, à espreita de suas emoções. E aí você sorri. Sabe que é capaz, e ela sabe que você é capaz. Mas também quer que você saiba que nunca, nunca estará sozinha.