Eu sentia como se sempre fizesse as escolhas erradas. Como se tivesse na minha frente duas caixas. Em uma, havia um botão, pronto para se abrir e dar à luz a uma linda flor. E outra, com uma flor já murcha, à qual o tempo só cuidaria de lhe dar os últimos sopros de vida. E eu deveria escolher. Por algum motivo que desconheço, sempre me deixava tentar pela caixa da flor murcha. E, alguns dias depois, junto com ela, via minha felicidade se despedaçar. Depois que a última pétala da última flor caiu, eu me vi num vão. Um vácuo entre a última lembrança da última flor que eu tinha acabado de jogar fora, e o meu futuro incerto.
Eu tive sorte.
Não tive tempo de sentir esse vácuo, pois logo em seguida recebi mais uma vez a chance de escolher entre as duas caixas. E dessa vez eu fiz a escolha certa. Eu achei a parte de mim que eu tinha arrancado junto com o último resquício dele.
E agora, eu tenho um motivo para a obrigação de levantar cedo todos os dias se tornar prazerosa. Porque eu sei que amanhã eu vou vê-lo. E depois. E depois. E eu sei que, no momento em que seus olhos puxarem os meus, o nosso olhar vai se encontrar. E eu vou me sentir mais leve. Mais leve, e mais viva, enquanto as borboletas dançam, graciosas. Inquietas.
Vem, elas anseiam por você.
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