sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Olhe dentro dos meus olhos; e verá.

Uma coisa que aprendi por essa trilha da vida adentro, dentre muitas, foi a olhar nos olhos.
Ainda posso me lembrar do exato momento em que isso aconteceu. Ele reclamara pois eu não conseguia fitá-los diretamente, e então segurara meu queixo e me dizera para que olhasse nos olhos dele; assim seria mais seguro. Obedeci, com uma certa cautela, e ele sorrira de volta para mim, assim vi que podia fazer aquilo. Sem hesitar, agora.

Mas, de alguma forma, lá dentro de mim, uma voz me alerta que encarar certas pessoas nos olhos me desconcertam numa escala considerável. Isso acontece quando aquele par de olhos penetra os meus sem medo algum, quase que querendo invadí-los. E eu já notei que se me entretenho demais neles, chego até a perder a minha atenção no que estou ouvindo a pessoa falar, porque os meus olhos instintivamente pedem por aqueles olhos, e eu sinto como se a partir daquele momento, eles se comunicassem, e não mais nossas vozes. Ou eles, e a minha mente. Não tenho certeza. Porque eu inicio uma série de pensamentos, um seguido do outro, ao fitá-los de tal modo. Mas quando volto ao mundo real, ainda tento enganchar com as últimas palavras que foram ditas, e como não é nada inédito na minha rotina diária, assinto com a cabeça e sorrio, do tipo "uhm, entendi, hein."

Muita gente diz que os olhos falam, que os olhos são capazes de transmitir emoções e até mesmo palavras, sem ser necessário abrir a boca. Com o tempo eu fui percebendo isso, e consigo enxergar as vantagens. É possível, com jeitinho, entender se o que aquele brilho está tentando nos passar é sincero. Se é verdadeiro. E muitas vezes eles até revelam respostas. O contra que já pude perceber nesse ato de fitar o olhar é quando tudo o que vemos, é umidade. Eles vão se enchendo mais a cada jato de palavras que aquela pessoa solta, até o ponto em que não conseguem mais suportar, e então elas caem. Descem ligeiras. Contornando cada traço. As lágrimas. Aqueles olhinhos são baixos, são fundos... E então em grande parte das vezes o que você faz é puxá-la para o seu peito, acomodando aquela cabeça, numa tentativa que mescla a vontade de largar aqueles olhos expressivos e tentar acalmar. Ou se não faz isso, porque não pode, não quer ou a tua razão te diz para não fazer, sente ao menos vontade.

A cor dos olhos são outra coisa que nos chamam a atenção. Principalmente quando são azuis ou verdes, até mesmo os dois misturados, um de cada cor, cinzas... Ou até mesmo aqueles negros. Bem negros. Despertam até inveja nas pessoas, e sempre ouvem um "oh, meu deus, como seus olhos são lindos!" Esses são capazes de filtrarem ainda mais os nossos.

Mas de uma forma geral, me sinto feliz por tê-lo aprendido, às vezes invadir o íntimo inconsciente que aquelas faíscas revelam entregam um alguém.

A não ser que ela seja muito indigna de admiração a ponto de a verdade estar tão oculta que consegue romper até essa barreira.
Aí já é outra história.

Um comentário:

Lou P. disse...

A gente tem que escrever nosso livro, juntas, e tals. Muito digno, altamente válido. Belo texto.