quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Foi então que eu vi.

E então eu vi. Vi pela primeira vez.

A flor vermelha.

Ela combinava com cada traço que a cercava, ela contrastava com o preto. Com o verde.

Era tão bonito; tão fascinante.

O sorriso aparentemente tímido me deixa em dúvida se o brilho é tão cegante de perto quando parece de longe. Com o passar dos dias tudo o que eu tinha eram olhares; trocas expressivas de olhares, devo dizer. Mais uma vez fico na dúvida se olhou só porque percebeu que eu estava fitando-a disfarçadamente. Será? Ou o “disfarçadamente” foi carinho meu?

Ela sorriu pra mim. Sorriu tímida; gesticulando um “oi” com os lábios. Eu estremeci. Pisquei os olhos para me certificar de que não estava ficando louca. Não, eu não estava. Ou achava que não. Cada pêlo no meu braço arrepiou, segundos depois, quando me dei por conta do que tinha acabado de acontecer. Por que tinha feito isso, se nem meu convite tinha visto ainda? Talvez tenha visto, mas não dado resposta. Não sei ao certo.

Por uma fração de segundo desejei ter o olfato algumas vezes mais aguçado. Desejei ser algo diferente de um ser humano, um ser fora do senso normal. Um vampiro, algo próximo. Quando, por termos um sentido a mais ou a menos, e um deles se aguça. Mas ouvi um rastro de sua voz. É doce. O meu coração bateu forte. Bateu forte como nunca antes. Levou-me a parar, pensar e acreditar que era por conta do vai-e-volta que eu tinha acabado de fazer, mas medi a freqüência da minha respiração e notei que ela estava calma. Isso não aliviou. Só conseguiu fazê-lo bater mais forte ainda. Ele pulsava em cada ponto do meu corpo da cintura pra cima, eu sentia pulsar minhas em minhas têmporas. Eu não consigo entender o que é isso, é um fenômeno inédito.

Nota: meu estômago ainda dá voltas toda vez que vejo.

Foi mais um dia em que o seu brilho me atingiu. Exatamente da mesma maneira que antes. Mas não foi só um “oi”. Teve um “tchau” também. Por um momento pensei que ela iria deixar a construção para trás, voltando ao seu campo. Mas ela se virou. Sorriu pra mim, dessa vez falando mais alto. Eu correspondi. Eu paralisei.

Em meus devaneios uma convicção faço questão de manter intocável: vou encontra-lá amanhã. Mais uma vez. Com todo seu brilho. Isso me inspira. E se não vir, verei depois de manhã, ou depois. Mas voltarei a vê-la, no dia em que as ondas de vergonha frearem e meus pés me levarem flutuando até ela. Nesse dia eu vou sorrir em cada ponto de mim, o meu sangue vai ferver, a satisfação vai me invadir. Vou inspirar seu perfume. Da rosa vermelha.

Só espero não deixar transparecer nenhuma dessas sensações.

2 comentários:

Lou P. disse...

Incrível. E profundo, não sei, chega lá, no meu íntimo, e me desperta um sentimento de admiração, em meio a muita coisa. Parabéns, pequena.

Unknown disse...

Ah, você é minha ídola e sabe disso *-*