terça-feira, 19 de agosto de 2008

I just woke up from a fuzzy dream

Os sonhos se diferem dos pensamentos, dos devaneios e até mesmo do sonhar acordado no momento em que se avalia o estado consciente da mente. Nos pensamentos enquanto acordados, somos capazes de controlar, ou se não, revertê-los para algo que nos faça sentir menos incomodado. Nos sonhos, isso não acontece.

Neles, vagamos, em algum ponto dentro do nosso cérebro, por lugares que não conhecemos, não definimos, não entendemos. Pessoas fazem aparições inusitadas, rostos desconhecidos passam a compor o espaço, histórias que misturam alguns fatos reais com as coisas mais esquisitas ajudam a formar aquele conjunto de imagens malucas chamadas de sonhos.

É como se uma rede te puxasse, e dali em diante, te guiasse e conduzisse, ainda que contra a sua vontade, por entre esses estranhos caminhos e envolvimentos. Você, por vezes, se envolve tanto naquela viagem subconsciente que, ao despertar, acaba por crer que aquele desencadeado (e recém trilhado) caminho realmente aconteceu. Ultrapassou os limites de pálpebras delicadamente coladas em um corpo estirado. E livre. O seu corpo relaxa, vai perdendo a força em cada ponto de você, à medida que o sono vem te buscar. Com mãos suaves, interrompendo uma linha de pensamentos, trazendo consigo o poder de acalmar. Mas, ainda assim, entrega esse leve corpo diretamente a outro estágio; outro setor. Que irá engolir-te, persuadindo-o com outra grande série. Essa, agora, que você pouco pode fazer para interferir. E é claro, também, com as diferenças que já citei acima.

A próxima interrupção poderá ser voluntária, quando o sono tiver escasso. Ou, ainda, uma forçada, com alguém te chamando da porta do quarto ou sacudindo seu corpo. Aí, demora um pouco mais para largar o mundo dos sonhos. E, por vezes, você sente raiva por ter sido interrompido justo naquele momento. No ponto máximo. Resgatar, depois, ou reatar aquela ponta que foi rasgada no meio, é impossível.

Há os sonhos ruins. Que passam, então, a ser chamados de pesadelos. Esses, por algum motivo que não entendemos, nos jogam em uma cavidade obscurecida. Os personagens que entram em cena, os protagonistas e os antagonistas não pretendem mais estrelar um filme alegre. Provocam algo de ruim, algum mal a alguém que conhecemos. Acordamos de um salto, no meio da noite. Apavorados. Os segundos rastejantes nada ajudam se não exercendo pressão sobre nossas têmporas ao pensar. E assimilar a idéia de que foi só um sonho. Opa, um pesadelo. Muita gente acredita que eles querem dizer alguma coisa, na maioria das vezes, o que vemos nos sonhos tem grande chance de acontecer de verdade. Eu, particularmente, não acho que seja verdade. Abstrato, e longínquo demais para mim.

Eles dão voltas, rodeios, o cenário muda, a platéia é outra. Assim, sem mais nem menos. Isso só torna tudo mais indecifrável ainda.
Mas, de uma forma geral, é agradável sonhar.
O tempo de sono parece se alongar, e foge um pouco daquela coisa simples e monótona. Aquela perda de tempo. Onde as horas passam só nos ponteiros que giram frenetica e inquietamente. E principalmente porque você se permite correr riscos, a começar do momento em que se entrega. Roçando a parte superior e inferior dos olhos umas nas outras, a respiração mais sutil, para ficar de acordo com o ambiente acerca.

Ao menos você tem no que pensar. Sobre o que pensar. Tentar montar o quebra-cabeça, seja para confiar nele ou não. Ele pode te fazer sorrir, logo ao amanhecer, quando se dá por conta, tempos depois, dos caminhos que trilhou.


Essas siglas indecifráveis rendem tecidos. Com certeza esse mesclado de idéias e momentos rendem.

Ah, isso lhe garanto.

Um comentário:

Lou P. disse...

Sabe o que eu acho mais incrível? Não, não sei se sabe, mas vou lhe contar. Acho incrível o fato de que, na grande peça que é a vida, você (sim, você mesma) não procura o papel principal. Parece estar nos bastidores, e você sabe... que pra nós, gente do teatro, quem está nos bastidores fazem tudo dar mais certo, do que aqueles que estão no palco. Porque aqueles, dos bastidores, fazem os papéis mais importantes, e necessários para que seja um excelente espetáculo, dão seu trabalho sem esperar o reconhecimento do público. Mas sabe, aquelas palmas do fim são mais para aquelas pessoas secretas que para os atores. Porque os atores sabem muito bem a quem devem encaminhá-las. Que venha o próximo ato.