sábado, 23 de agosto de 2008

Sinceramente...

O inesperado é, obviamente, algo pelo qual não esperamos. Cai de repente, bem em nossa frente, trombando conosco, em alguma parte incerta do tempo. Como um anjo que padece, batendo às pressas as asas, sem um rumo certo, mas com um objetivo a alcançar.

E, então, ela entra. Sem dizer “com licença”, sem perguntar se pode. Em algo menor do que um piscar de olhos, você se vê completamente tomada. Pelo quê, exatamente, não entende. Só é como comer um pedaço de chocolate depois de morder um limão. Você diferencia o azedo do doce. O bom do ruim. O agradável do desagradável.

Não que eu acredite em Conto de Fadas. Aliás, nunca me achei princesa o suficiente para ter o que sustentasse a minha fantasia. Nem esperei por um príncipe montado em um cavalo branco, que tivesse asas angelicais e galopeasse em ritmo medido. Apaga essa parte da fita. Esquece a história do filme da Disney, e foca no que é possível ter mais do que um sonho. Isso não necessariamente apaga a parte do príncipe. Só a do cavalo branco. Pode ser algo que misture Shrek com Cinderela...

Tudo o que sei, é que não se assemelha a como se você levasse um tiro enquanto corria por aí. Porque isso te feriria, apesar do inesperado. Assemelha-se a um céu escurecendo aos poucos, o chuvisco molhando fio a fio de seu cabelo. E aí, dentro de poucos minutos, o arco-íris invadiria esse mesmo céu em questão. Em leves pinceladas de aquarela, mas nada que atuasse a fim negativo. No fim das contas, a chuva servira para engolir a monotonia.

Nota: Depois de várias noites sem sonhar, eles finalmente vieram.

Não é um príncipe com cada uma daqueles traços perfeitos, mas o que eu posso ver em você é até melhor do que isso. Eu sempre gostei do que se aproxima do surreal, logo, o que passa longe do padrão comum me atrai numa escala elevada. O que pareceria incomum aos olhares fugazes, é, de longe, o que faísca aos meus.
Não estou muito certa do que atrai a minha atenção. Nem do que rapta os meus pensamentos, no vácuo complexo em que eles se mantêm.

Para ser franca, tudo o que sempre realmente importou para mim dessa frescura de Contos de Fadas e daquele possível “tudo” o que uma menina sonha, eu tive. Pela primeira vez.
(...) O céu com poucas nuvens punha em baixa a idéia de procurar formas nelas. Ao passo que o céu mudara de cenário para uma escuridão gélida, novas peças naturais se dispunham a incrementar o dia proveitoso que tinha se passado.
Com as cabeças recostadas no banco, pudemos notar. No meio de tantas, uma brilhava mais. Mais do que todas as outras. Só o que não ouso dizer, é que reluzia mais do que o seu próprio olhar. Escolhemos um nome para ela. Tomamos posse.

Ainda que muitos já o tenham feito, a nosso ver, ela é nossa. E ninguém mais precisa enxergar essa pureza. Eu não só gosto do modo como você mostra cuidado, mas de como seus olhos vêem a mim. Seus olhos captam, e as mensagens do seu cérebro tratam de emitir em som. Têm vezes que eu gostaria, mais uma vez, de me aproximar de algum ser não-humano, e ser capaz de ler mentes. Mas só naqueles momentos em que o silêncio se propaga pelo ar, enquanto as palavras certas são perseguidas. Se elas não vêm, o sorriso pode se responsabilizar de cumprir o papel. Talvez até mais eficazmente.

Deixe-me medir a temperatura da sua pele. Essa que abriga o aroma que tanto insiste em tomar a minha como refúgio.

Quero sentir os seus dedos, segurá-los contra os meus, disparando em desjeitosos passos que os seus, em meus calcanhares, carregariam-se de endireitar.

“Gostei do seu charme e do seu groove, gostei do seu papo e do seu perfume.”
“I don't see what anyone can see, in anyone else but you... Du du du du du du dudu.”

Um comentário:

Lou P. disse...

Uma vez eu lhe disse pra fazer as coisas que tivesse vontade, e agora vou lhe dizer para não se prender muito aos procedimentos padrões no campo das relações. Porque a gente sempre sabe quem é aquela pessoa por quem uma ousadia aqui e outra ali vale a pena. Nem que seja sob a desculpa que 'ah, eu liguei pra ouvir sua voz'. Bem, a pessoa não precisa saber agora que não era só isso. Depois ela descobre. Mas você também precisa dar os sinais.