sábado, 9 de agosto de 2008

Universos paralelos.

Para lhe ser franca, nunca tinha parado para pensar no que acontecia do outro lado do mundo, enquanto o dia amanhecia por aqui.

Oh, é claro que já tinha me questionado como seria viver por lá, observado como seria legal viver em meio a uma cultura completamente distinta e com diversas inovações. Também uma tecnologia consideravelmente bem desenvolvida. Mas não parado efetivamente, nem gastado as energias dos meus neurônios com pensamentos mais fundos sobre o assunto. Contudo, de uns tempos pra cá, mais precisamente lá por meados de Fevereiro, eu ganhei um motivo para começar a dar mais importância ao que acontecia na outra face do mundo, simultaneamente ao que eu vivia no lado de cá.

É estranho pensar que enquanto aqui o sol nasce, lá o sol se põe. Estranho considerar que quem mora lá já viveu as horas do dia que ainda não chegaram aqui. Estranho também pensar que estou tão próxima de alguém que está a milhas daqui.

Mas ainda assim, o mais estranho de tudo isso são as idéias que pude abrigar. Você as verá.

Posso tentar exprimir, mas não garanto nada.

O que sinto, na verdade, é como se... Se tivesse tido o coração fragmentado. Isso. Em pedacinhos doces. Depois disso, algumas partículas dele escapassem do meu controle e tomassem seu próprio rumo, livres, silenciosas, e vagassem por essa imensidão do mundo afora... Pegando carona nas moléculas do ar. Se deparando, em seu caminho, com toda a delicadeza das borboletas, a doçura das canções advindas dos pássaros; as cores leves do arco-íris e a pureza do azul do céu. E mais do que isso, também absorvendo um pouco de cada uma dessas. Junto, é claro, não preciso nem citar, levou consigo o amor que em meu coração reside. Foi então, que, depois desse longo percurso, chegaram, intactas e ainda melhores e mais leves, prontas para uma troca. Elas entrariam ali naquele coração, dando espaço para algumas que saíam dali tomarem o caminho contrário.

E é por essa troca que eu te sinto tão em mim. Parte de você está, como pôde perceber.

A distância por vezes fere, e eu a sinto corroer pedaços internos de mim quando já tenho meu estado de espírito pouco fortalecido. Mas viajar por suas lembranças que guardo comigo me fazem me recompôr. E isso é suficiente.

Pouco me importa se tudo (quase tudo) o que tenho são palavras. Digitadas. Expressadas, muitas vezes, sem valor ou emoção alguma. E mesmo que eu não consiga captar o brilho de seus olhos quando as escreve para mim, eu posso sentir que não ocultam o mínimo de verdade. Através da sutileza que sua voz traz, e que soa como uma canção de ninar para mim, eu sou capaz de sentir a emoção. Aquela que une numa mesma redoma a vontade, o carinho, a proteção. O desejo de romper cada sensação superficial dessas e ter em mãos o poder de inspirar o aroma. O cheiro. Do abraço. Da felicidade. Da pele com cada um de seus pêlos eretos. "Às vezes se eu me distraio, se não me vigio um instante, me transporto pra perto de você..." Eu tenho um, e o melhor dos motivos para me preocupar com cada passo que seus pés conduzem você nesse universo paralelo. Acredito nisso porque a segurança que você e eu depositamos e transmitimos têm força o suficiente para suprir algumas vontades que não temos condições de saciar por agora. Eu disse por agora.

Não é nenhum tipo de romance. É apenas o sentimento de amizade que não carrega malvadeza alguma.

"... Cedo ou tarde a gente vai se encontrar, tenho certeza [...] E o que é nosso está guardado em mim e em você, e apenas isso basta. Me sinto só, mas sei que não estou, pois levo você no pensamento."
"A melhor parte de mim leva o meu caminho até você, isso é o que me deixa mais forte, me faz tão bem..."
"I hear it in your voice, we're miles away; You're not afraid to tell me, miles away... I guess we're at our best when we're miles away."
"Don't you worry about the distance, I'm right here if you get lonely."

Só enquanto precisar de mim, Lu Shima.

Um comentário:

Lou P. disse...

No final das contas, pra amizade, a distância é apenas física, a proximidade é psicológica. E qual delas importa mais? Eu diria que a psicológica. O que é físico não é que nos mantém de pé, e sim o que guardamos na mente, e no coração, é o que nos dá forças, pequena.